
“Educar pessoas do modo como o mundo precisa hoje demonstra a necessidade de um ensino voltado à liberdade e à autonomia, e não ao conformismo, como está explícito na “cultura reflexiva”, que representa uma nova postura do docente e da escola, face às situações educativas” (GOMES e CASAGRANDE, 2002, p. 696).
Em relatório encaminhado à UNESCO, a Comissão Internacional de Estudos sobre a Educação para este século destaca que, em resposta ao conjunto de suas missões, a Educação deve estar fundamentada em quatro aprendizagens fundamentais: aprender a conhecer, adquirir cultura geral ampla e domínio aprofundado de um reduzido número de assuntos, mostrando a necessidade de educação contínua e permanente; aprender a fazer, oferecendo-se oportunidades de desenvolvimento de competências amplas para enfrentar o mundo do trabalho); aprender a conviver, cooperar com os outros em todas as atividades humanas; e aprender a ser, que integra as outras três, criando-se condições que favoreçam ao indivíduo adquirir autonomia e discernimento (DELORS, 1996).
Moran (2009) nos convida, ainda, à reflexão sobre o processo de educação nos dias de hoje... defende que o papel da educação e, por conseguinte, do professor, é colaborar para que as escolas e organizações transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. Cabe a ele, também, auxiliar o aluno no processo de construção de sua própria identidade, no delineamento de seu projeto de vida pessoal e profissional.
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (PAULO FREIRE).
Educamos de verdade, portanto, quando aprendemos com cada coisa, pessoa ou idéia que vemos, ouvimos, sentimos, tocamos, experienciamos, lemos, compartilhamos e sonhamos; quando aprendemos em todos os espaços em que vivemos na família, na escola, no trabalho, no lazer, etc. Educamos aprendendo a integrar em novas sínteses o real e o imaginário; o presente e o passado olhando para o futuro; ciência, arte e técnica; razão e emoção (MORAN, 2009).
É a partir das diversificadas visões de mundo com as quais temos contato, que criamos a nossa própria compreensão da realidade e ampliamos nosso conhecimento. De tudo, de qualquer situação, leitura ou pessoa podemos extrair alguma informação.
Como aprendemos!?
Estudantes usarão a convergência de tecnologias de maneira colaborativa, ambientes de aprendizagem inquisitiva com professores dispostos e aptos a auxiliá-los a transformar conhecimento e habilidades em produtos, soluções e novas informações.

O aluno do século XXI usa todas as tecnologias disponíveis, assiste mais de 15h de televisão por semana, passa 5 horas e meia no computador, enquanto lê um livro por apenas 2h. Usa iPad, iPod, notebook, internet, MSN, Orkut, facebook, twitter.. e, assim, também, adquire seu conhecimento. Querem ser capazes de criar, consumir e compartilhar informações em tempo real e demandam professores que dominem este tipo de conhecimento.
Que tipo de educação damos aos nossos alunos?!
Hoje, precisamos ensinar de formas diferentes para pessoas diferentes. Com a Internet estamos começando a ter que modificar a forma de ensinar e aprender. Podemos modificar a forma de ensinar e de aprender. Um ensinar mais compartilhado. Orientado, coordenado pelo professor, mas com profunda participação dos alunos, individual e grupalmente, onde as tecnologias nos ajudarão muito, principalmente as telemáticas.
Moran (2009) propõe que ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço-temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação. Uma das dificuldades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em espaços menos rígidos, menos engessados. Temos informações demais e dificuldade em escolher quais são significativas para nós e conseguir integrá-las dentro da nossa mente e da nossa vida.
O professor é um facilitador, que procura ajudar a que cada um consiga avançar no processo de aprender. Mas tem os limites do conteúdo programático, do tempo de aula, das normas legais. Ele tem uma grande liberdade concreta, na forma de conseguir organizar o processo de ensino-aprendizagem, mas dentro dos parâmetros básicos previstos socialmente.
O aluno não é unicamente nosso cliente que escolhe o que quer. É um cidadão em desenvolvimento. Há uma interação entre as expectativas dos alunos, as expectativas institucionais e sociais e as possibilidades concretas de cada professor. O professor procura facilitar a fluência, a boa organização e adaptação do curso a cada aluno, mas há limites que todos levarão em consideração. A personalidade do professor é decisiva para o bom êxito do ensino-aprendizagem. Muitos não sabem explorar todas as potencialidades da interação.
Educação para a autonomia e para a cooperação. É importante educar para a autonomia, para que cada um encontre o seu próprio ritmo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, é importante educar para a cooperação, para aprender em grupo, para intercambiar idéias, participar de projetos, realizar pesquisas em conjunto.
Só podemos educar para a autonomia, para a liberdade com autonomia e liberdade. Uma das tarefas mais urgentes é educar o educador para uma nova relação no processo de ensinar e aprender, mais aberta, participativa, respeitosa do ritmo da cada aluno, das habilidades específicas de cada um.

A contribuição do professor na formação de novos profissionais. Em um cenário onde as mudanças socioculturais apresentam-se como abruptas e constantes, o professor assume o papel não apenas de disseminador do conhecimento, mas, sim, o de co-autor do conhecimento, construído através de sua relação com a teoria, o mercado e os alunos.
A demanda por um novo tipo de profissional no mercado é latente. Anseia-se por profissionais mais competitivos, mais eficientes, questionadores, adaptativos – a toda gama de modificações do cenário atual -, e, acima de tudo, reflexivos – cônscios de seu papel no mercado, cientes das modificações do mercado e aptos a sobrevivência e destaque nesse cenário.
É importante sermos professores-educadores com um amadurecimento intelectual, emocional e comunicacional que facilite todo o processo de organização da aprendizagem. Pessoas abertas, sensíveis, humanas, que valorizem mais a busca que o resultado pronto, o estímulo que a repreensão, o apoio que a crítica, capazes de estabelecer formas democráticas de pesquisa e de comunicação.
A nossa contribuição. Diante de tudo isso, o que nós faremos?! A idéia inicial aqui, nesse blog, é trazer ao ambiente virtual um pouco das discussões que temos em sala-de-aula, durante a disciplina de Psicologia do Consumidor, na Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas – FACISA.
A proposta do blog é ser um espaço e elucubração de idéias. Gestação de um conhecimento construído a inúmeras mãos. Meditações. Divagações. Fertilidade de imaginação e, por que não dizer, fonte de lazer na busca da associação da teoria com a realidade prática que nos circunda.